Sunday, May 27, 2012

"Ai, que fico maluco!"

O meu primeiro dia oficial no Porto foi uma aventura completa que dava mais uma vez para escrever um capítulo inteirinho no meu livro belivador. 

Comecei a manhã a preparar o jantar para a famelga, uma bela lasanha de carne. Depois fui dar uma entrevista no canal MVM - Música Vida e Moda aqui no Porto. De seguida, a minha cadela foi a uma consulta veterinária à troca e de seguida fui ter com um amigo meu e umas amigas dele, finlandesas, mesmo ao pé da Torre dos Clérigos! Tudo muito by Porto! :) Tudo isto pareceria normal não fosse o acontecimento ocorrido entre a saída da entrevista e a entrada na consulta veterinária. Como não percebo nada do Porto a nível de ruas e ruelas e como já desisti do meu GPS (informo desde já que o mesmo se encontra disponível para a troca, por quem o consiga domar) decidi que a melhor forma de me deslocar na cidade era mesmo pedir ajuda aos "nativos", rua sim, rua sim. 

E assim foi, mal saí da entrevista, parei numa paragem de autocarro e perguntei aos senhores que estavam ali à espera, se me sabiam dizer, como se ia para as Antas. Muito sorridente e bem disposto, chegou-se à janela do meu carro, um senhor com os seus 70 e tal anos, de barba e cabelo branco, de olhos azuis e fato azul escuro de risca de giz (um verdadeiro belivador) que me disse: "Oh menina, eu vou para lá!" De forma rápida e instantânea meteu-se no meu carro, sem eu ter oferecido boleia ou ele ter pedido, de forma simples e fluída, com mútuo consentimento... Parecia que estava a dar boleia a um familiar meu. Entre muitas conversas, foi-me contando como os autocarros durante o dia não eram feitos para as pessoas da idade dele, porque só passavam de 30 em 30 minutos e como tinha tido sorte em apanhar a boleia comigo. Contudo, de forma muita carinhosa disse-me: "Mas a menina não devia dar boleia assim. Imagine que eu sou um gatuno ou delinquente que a assaltava? Tem de começar a ter cuidado. Ou a menina é daquelas que vê o fundo da pessoa, como por sexto sentido, só de olhar para os olhos da pessoa?!" Eu respondi-lhe calmamente: "Oh ninguém me pode assaltar, eu não uso dinheiro." E foi aqui que comecei a contar a minha história de vida e o meu projecto. Cada detalhe que dava, cada episódio que contava, cada coisa que comentava, o simpático senhor só dizia: "Ai, que fico maluco. Ai, que me põe maluco. Ai, que estou maluco." Bemmmm... eu ri-me tanto, tanto, mas tanto que nem imaginam! Cada coisa que eu contava, este senhor ficava ainda mais espantado e só dizia: "A menina vai mudar o mundo. Isto é uma novidade para mim. Está mesmo muito bem pensado." Giro, giro foi quando ele me disse que era reformado bancário e me responde assim: "Os bancos vai fechar com a ideia da menina. Mas por outro lado as pessoas vão começar a ser muito mais solidárias umas com as outras... Isto é o futuro!"

A conversa foi das mais agradáveis, das mais genuínas e das mais divertidas que tive nos últimos tempos, até porque durante a viagem, este simpático senhor de olhos azuis contou-me anedotas super engraçadas,  conseguindo obter da minha parte inúmeras gargalhadas, das mais genuínas que há de dentro de mim.  Ele até me disse: "A menina ri mesmo com vontade, hém?!" Adoro o pessoal do Porto, carago! Adoro mesmo... e um dia, hei-de cá viver, ai se hei-de! :)

Depois desta boleia super entusiasmada e com verdade genuína do que é realmente uma conversa entre dois seres humanos (dos verdadeiros) disse ao senhor: "Já viu, acabámos de trocar uma boleia por muitas anedotas divertidas!?" Ele olhou para mim e disse-me: "Eu tenho de lhe dar alguma coisa em troca e não podem ser só as anedotas. Tenho mesmo de lhe dar algo, nem que seja para que depois troque." Eu retorqui dizendo que nem pensar, que a única coisa que desejava era que num futuro próximo me ligasse para me contar mais anedotas. Nisto, o senhor abre um saco e entrega-me um telemóvel que tinha acabado de comprar! Eu fiquei de boca aberta, disse que não queria, que não precisava, que não era preciso nada... o senhor olhou-me nos olhos, deu-me um grande abraço e disse-me: "Minha menina, por favor seja feliz!" E começou a distanciar-se de forma muito rápida e sem olhar para trás.

Fiquei perplexa... fiquei imóvel... não acreditava que um perfeito desconhecido me tivesse oferecido um telemóvel apenas e só por uma boleia e porque havia acreditado em mim e no projecto... fiquei verdadeiramente em choque... um choque tão grande, que comecei a chorar no meio da rua, de emoção e de gratidão!

...

"Há sempre alguém que nos diz tem cuidado... há sempre alguém que nos faz pensar um pouco..." http://www.youtube.com/watch?v=tlcIzDA9Fa4

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